Por que "Arcos Brasileiros"?
Os estilos que escolhemos para compor são todos do Brasil. Mas o que é o arco?
O arco é o complemento do violino e da rabeca. Ele que faz o instrumento pertencer à família dos instrumentos de cordas friccionadas. Muita gente chama ele de "vareta", mas a vareta é a parte de madeira do arco. Ela é arqueada por um conjunto de crinas de cavalo (do rabo) que gruda nas cordas graças ao breu*, isso faz ele raspar e as fazer vibrar. É o arco que faz com que esses instrumentos se assemelhem à voz e se distinguam tanto dos outros instrumentos de cordas: ele que é o ronco, o sopro que faz vibrar as cordas vocais, ele que é o fole da sanfona. Arcos diferentes mudam o timbre do instrumento e permitem atingir ou não mais agilidade ou mais projeção do som.
Os arcos de violino, como os próprios violinos, seguem uma padronização. Todos tem os mesmos tamanhos e quase os mesmos formatos. A confecção do arco de rabeca segue a mesma liberdade que elas: todo tipo de madeira, de formato (mais arqueado ou mais reto), todos os comprimentos, todos os pesos (pesado, leve) possíveis que vão também caracterizando o som. Nos arcos de rabeca, a própria crina de cavalo é geralmente substituída por nylon ou até fibra vegetal!
Escolhemos o título “Arcos Brasileiros” porque se questiona muito sobre as diferenças entre o violino e a rabeca. O nosso desejo é o de apresentar um trabalho colocando os dois instrumentos no mesmo plano, fugindo dos potenciais preconceitos (dos dois lados). Queríamos enfatizar esse objeto em comum entre esses dois instrumentos musicais: o arco, como voz de um violino popular brasileiro que também pode ser chamado de rabeca.
De um jeito mais simbólico, se fala muito sobre os “arcos narrativos”. Nesse sentido, podemos considerar esse projeto como um todo (e cada música) como uma narrativa que liga a história e tradição à criatividade e inovação. Desejamos que, com esse projeto, possamos contribuir um pouco e fazer parte desse grande “arco brasileiro”.
*O breu é uma resina sólida de árvore (pinheiro) que, ao friccionada à crina (ou fibra, ou nylon) forma um pó branco, pegajoso que faz o arco grudar na corda. Sem breu, o arco desliza sem produzir som. Por isso não é bom encostar porque troca o pó por gordura ou sujeira.






