Sobre os insrumentos
A rabeca é um violino? A rabeca é brasileira? Qual é a diferença?

Resumindo muito....
R: Resumindo muito: o violino é como se fosse um tipo de rabeca. Introduzido na época colonial com nome de rabeca (nome do instrumento até o início do século XX) foi e é utilizado em diversas manifestações culturais em todo Brasil. A partir do século XX, com a mudança de nomenclatura de "rabeca" para "violino" nos grandes centros, houve uma ruptura: em cidades afastadas o nome rabeca continuou sendo utilizado e seu uso se estigmatizou na cultura popular enquanto nos grandes centros o nome passou a ser violino e o seu uso passou a ser ligado à música erudita. Mas tudo isso é muito fluido e, às vezes, confuso. Muitas vezes os instrumentos que podem ser chamados por uns de violino, chegam em outros contextos e são chamados de rabeca e vice versa. Por exemplo: o “violino bragantino", usado na marujada de Bragança (PA), tem sido cada vez mais chamado de rabeca e descobrimos que isso se deu porque pesquisadores passaram a chamá-lo assim. O nosso violino, quando andamos pelo Brasil, é chamado de rabeca muito frequentemente quando tocamos no contexto da música popular. E às vezes, para alguns, é bem clara a diferença.
Eu tenho uma teoria: o nome "violino” entrou na língua portuguesa um pouco como o nome “Iphone" e o nome “Gillette” entraram. Explico melhor: existiam as rabecas - instrumentos de cordas que eram friccionadas por um arco. Em um momento, um tipo de rabeca construída pela escola de cremona (por Guarnierius, Stradivarius, etc) revolucionou a Europa e todos os reis e nobres começaram a querer esses instrumentos que eram chamados de violinos, na sua cidade de construção. Assim o nome pegou: não era uma simples rabeca, era um violino (do mesmo jeito que existem celulares de outras marcas e existem os iphones). E assim essa confusão ficou até hoje.
V: Hoje em dia podemos considerar que a rabeca é o verdadeiro violino popular brasileiro, ela é central em várias manifestações populares regionais e isso, no Brasil todo. Quanto ao violino, ele está se libertando aos poucos do universo da música de concerto: ele toca com suingue os ritmos brasileiros, aparecendo sempre mais na roda de choro, o baile de forró, na música instrumental e acompanha, improvisa, cria novas sonoridades… Ele chega a encontrar outros timbres, às vezes com pedais, amplificado ou acústico, e mostra que a música não gosta de barreiras. Bora se divertir, instrumento é ferramenta e o importante é fazer com o coração.
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