Conheci o Ricardo Herz pesquisando a rabeca no “1o Encontro de Fandango Caiçara do Marujá” na Ilha do Cardoso (SP) em Janeiro de 2019. Tinha acabado de me formar em Violino Jazz no Conservatório de Chambéry (França) e buscava intuitivamente novos jeitos de me expressar: já gostava de tocar nos graves com som mais estourado e rouco (como pode soar a rabeca), acompanhava harmonicamente, além de improvisar. Eu já estava encantada com meu encontro com a rabeca, mas posso dizer que esse encontro surpresa com o Ricardo foi o maior presente da minha vida, porque mostrou um caminho, uma dimensão nova, no violino, que eu nunca teria pensado.
O duo se formou desde o primeiro dia e me deu vontade de aprender as sutilezas dos ritmos brasileiros no violino. O Ricardo foi essencial na minha aprendizagem: fiz o Curso de Violino Popular Brasileiro que ele lançou em 2017 e em paralelo ele me apoiou muito no meu processo. Eu sou muito grata por isso.
No mesmo ano (2019) eu já me mudei de vez para São Paulo. A gente grudou, fusionou (a pandemia ajudou um pouquinho) nunca mais se separou, resultando um repertório de mais de 50 músicas (e que não para de crescer). Teríamos repertório para 5 discos! Foi tão duro escolher que acabamos gravando 18 faixas.
O disco Arcos Brasileiros resume essa convivência artística e parceria de vida. Os arranjos são todos inéditos. No repertório, escolhemos muitas composições (novas e antigas) do Ricardo Herz. Estão também novas composições minhas, que retratam a minha conexão desde os meus primeiros passos no Brasil com Pernambuco, com a rabeca, com o forró e mais recentemente o frevo.
Viva a cultura popular brasileira e os diálogos entre o violino e a rabeca!
Beijão rabecado
Vanille
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Dez arcos, dois violinos, oito rabecas.
Dois músicos registrando seis anos lindos de colaboração.
“Arcos Brasileiros” é um resultado de mais de duas décadas de pesquisa individual e de sete anos de convivência e trocas intensas, pesquisas conjuntas, muitas viagens, muito amor e muita bagagem de vida.
Esse é o meu 12º álbum, dedicado inteiramente à música brasileira. Nesses 20 anos de carreira como violinista e pesquisador da nossa música nacional, venho aprendendo a compor, improvisar, solar e acompanhar no violino — um caminho que se reflete profundamente neste disco.
Vanille vinha de um universo muito singular - o da improvisação do jazz - e se apaixonou pela rabeca do forró brasileiro, abrindo portas para outras manifestações e para o violino brasileiro. Nosso encontro, ainda no início dessa trajetória, foi transformador. Aprendemos muito um com o outro: ela, a minha maneira de encarar o violino brasileiro; e eu, a sua forma de tocar rabeca e violino, a improvisação, suas composições e arranjos.
Espero que curtam e saboreiem!
Viva o encontro, viva a música brasileira e mundial!
Ricardo






